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24/05/2014 - 0:31

Será que seu filho não precisa usar óculos? Júlia precisava – saiba por quê

por Luís Perez

Será que seu filho não precisa usar óculos? Pois bem. Minha filha, Júlia, precisava. Mas só foi descobrir isso agora, aos seis anos, depois de muita discussão. Desinteresse, preguiça, impaciência para dar os primeiros passos na leitura foram os sintomas…

Apesar de frequentar uma escola nada barata, ninguém por lá desconfiou. A própria, então, menos ainda. Coitada, devia achar que o mundo era embaçado mesmo, um borrão… Meu maior medo era ela passar a enxergar direito e ver que o pai, que ela dizia ser bonito, não era nada daquilo…

Pois bem. Sem pai ou mãe que precisasse de óculos, Júlia se queixava de não enxergar direito o que a professora escrevia na lousa. Nas lições, encostava demais o rosto na folha de papel. Não tinha, como já citado, menor paciência para juntar letras para formar sílabas e palavras.

Júlia, 6 anos, feliz com seus óculos de armação roxa

Júlia, 6 anos, feliz com seus óculos de armação roxa

Marcamos uma primeira consulta. A oftalmologista foi rápida demais. A mãe, que levou a pequena à médica, estranhou. Achou o atendimento, feito pelo convênio (também nada barato), meio digna de “dr. SUS”. Como pai, resolvi marcar outro profissional para ter uma segunda opinião.

O resultado foi o mesmo: impressionantes sete graus de hipermetropia e um de astigmatismo. Ela já usa aparelho. Óculos? E essa, agora!? Por mim está ótimo. Assim nenhum garoto vai se interessar por ela. Brincadeiras à parte, sei que não é verdade.

Ela escolheu uma armação roxa, sua cor predileta, e recebeu os óculos não faz nem uma semana. Não obstante, sua vida já mudou. Agora ela enxerga o mundo de maneira diferente – ou talvez baste dizer que ela passou a enxergar o mundo. Começou a ler compulsivamente. Leu os nomes de todas as seleções do álbum da Copa. Passou pelo corredor de um shopping lendo os nomes de todas as lojas – “Anna Pegova Paris”, “Dudalina”, “Presentes Santa Helena”, entre outras.

Passando por uma concessionária de veículos à noite, chamada Studio, falou “Es-tú-dio” em voz alta. Expliquei a ela que sem o “E” era em inglês a mesma palavra que, com a letra, se falava em português. Pedi que tirasse os óculos. “O que você enxerga agora?”, perguntei. Ela: “Uma linha azul”. Ela deve enxergar mal desde que nasceu e nem se dava conta disso.

Alguma dúvida de que ela passou a ver o mundo com outros olhos?

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